Solidão



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Ela tem esperado, pensou muitas vezes em procurá-lo, mas sabia que tinha que aguardar. Depois de todas as coisas que Lucas soube sobre ela, tudo que podia ter certeza era que talvez nunca mais o veria. Mas lá no fundo, no intimo de seu coração ela suplicava que ele a perdoasse e que pelo menos pudessem se falar.
Não duvidava que o fato deles nunca mais terem se visto por acaso como acontecia antes era simplesmente que ele a estava evitando e preferia mandar a secretária se fosse realmente necessário. Era por saber disso que ela não ia aos lugares que podia encontrá-lo, aos lugares que frequentavam juntos, por que sabia que ele ia ignorá-la.
Só que já fazia semanas isso e ela estava ficando cada dia pior e mais triste por que o amava, verdadeiramente o amava e precisava que ele soubesse.
Um noite estava bebericando o vinho do porto na varanda de seu apartamento, olhando a rua e pensando como era bom quando ele estava ali, quando se amavam, quando ele a acariciava e como era maravilhoso seu toque.
Já tarde da noite, depois de quase uma garrafa de vinho, Manoela pegou seu casaco e saiu de casa a procura de um táxi, ela se acomodou no banco de trás e disse o endereço que queria ir. Quando chegou lá seu medo era que ele não a deixasse entrar, mas aparentemente nenhum funcionário a barrou e ela entrou.
Ficou parada ao pé da escada, chamando por ele. Lucas apareceu e a olhou sem entender.
"O que esta fazendo aqui essa hora?"
"Precisava saber como você está"
"Para isso serve o telefone, sabe que horas são?!"
"Você não ia me atender..."
"Você nem sóbria esta, o que andou bebendo?" - disse ele já descendo as escadas em direção a ela.
"O vinho que você me deu no nosso aniversário de namoro"
"E quanto do vinho você bebeu?"
"Não sei..." - ela o encarou - "Mas por que isso importa?"
"Primeiro, por que você é fraca para bebida e segundo, por que olha o seu estado"
Ela só ficou olhando pra ele sem nada a falar, deu dos passou em sua direção e perdeu o equilíbrio caindo em seus braços.
"Venha..." - disse ele colocando-a nos braços - "Vou coloca-la numa cama, nesse estado você não consegue volta pra casa"
Ele a carregou para cima e colocou-a em um dos quartos de hospedes. Quando já estava instalada e depois de ter adormecido nos braços de Lucas, Manoela acordou de sobressato e o viu.
"O que faz aqui?"
"Essa é minha casa."
Ela levantou um pouco ainda sonsa e bêbada. "Então o que eu faço aqui?"
Ele riu claramente divertindo-se por lembrar de todas as vezes que ela bebeu e ficou naquele estado entre a chateação e o esquecimento, como se estivesse perdida.
"Você veio me vê..."
"Me perdoa! Me perdoa! Me perdoa!" - disse ela lembrando-se que devia falar isso para ele
"Conversamos sobre isso amanhã, agora é melhor você dormir"
"Não. Eu... Eu preciso que você sabia disso... Que saiba do que sinto por você"
Ela ainda tentou falar algo, mas as pálpebras estavam pesadas e o sono começou a consumi-la. Enquanto ela ficava ali adormecida, Lucas ficava velando o sono dela e procurando uma maneira de odiá-la pelas coisas que soube. Mas quanto mais ele a olhava, mais a amava e se perguntava se algum dia deixaria de amá-la.


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